terça-feira, 10 de maio de 2011

Show - dia 27 de maio

O grupo Caminhos de Si fará uma apresentação no dia 27 de maio, no clube Jaguarense, por ocasião do tombamento da cidade de Jaguarão como patrimônio histórico.

A entrada é gratuita e o show valerá como ponto de partida para o novo CD - Caminhos de si - o tempo, a ser lançado em 2012.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Él que no cambia todo, no cambia nada! Alfredo Zitarrosa



Poema do CD Caminhos de Si


Ameríndia

Quando eles vieram tão pouco possuíam
Porém se diziam donos desta terra
Trouxeram a guerra e doenças estranhas
Relegando um povo à dor e à miséria

Roubaram das matas a verde alegria
Quebrando a harmonia milenar deste chão
Despertaram a erosão que devora a planura
E inventaram na América a palavra extinção

Banharam de sangue os rios, antes puros
Levantando seus muros, cidades, prisões
Mataram milhões evocando a um Deus
Condenando uma raça a não ter mais futuro

Mas será que não somos mais índios que brancos?
Mas será que esta América não é mesmo Índia?

Quando eles vieram com seus armamentos
Já não houve mais tempo para a ingenuidade
Sobrou só a falsidade na jura dos reis
E na (in) justiça das leis só desigualdade

Hoje as tintas de guerra já não pintam guerreiros
Mas tão só prisioneiros que em reservas mal vistas
Margeiam autopistas vendendo lembranças
Adornos e enfeites para o lar dos turistas

Já não mais se escuta nas florestas e campos
A pureza dos cantos de mil tribos libertas
Mas talvez ainda ecoe nos acordes do vento
O terrível lamento de uma terra deserta!

Mas será que não somos mais índios que brancos?
Mas será que esta América não é mesmo Índia?



                                        Martim César

quinta-feira, 31 de março de 2011

Letra musicada por Hélio Ramirez e cantada no show do Caminhos de Si na Enfermaria Militar

O sal que verte no olhar


Do cerro do Matadouro

Chegava tropa e mais tropa

Restava a carne e o couro

Que a vida não tinha volta


O sal que vinha de Cádiz

Pra alimentar as charqueadas
Cobrava a vida do gado
E o sangue das mãos escravas

Mas que força é que separa
Os homens por suas cores
Se todos têm em sua alma
Iguais espinhos e flores?

Assim cresceram as cidades
Neste sul do continente

O sal...o suor...o charque

A confundir gado e gente

Às vezes... um fim de dia

Chegando em rubro sol-pôr

Mesclava em água e sangria
Dois rios e uma mesma cor

Mas que razão determina
A casa grande e a senzala?
Que lei humana ou divina
Justifica a dor escrava?

Restaram as cercas de pedra
Os casarões, as fachadas
E uma história que espera
Por ser ainda contada


Martim César